Não gostaria que o tema central desta comunicação – “teoria e prática da leitura” – fosse visto ou tomado como uma prioridade fundamental, como um objetivo em curto prazo no campo da biblioteconomia brasileira. Entendo que existem outros problemas, talvez até mais significativos (pois orientados para a conscientização política dos nossos disseminadores de informação), que devem ser solucionados em primeiro lugar. Isto porque as necessidades voltadas ao “ter” condições satisfatórias de trabalho são aquelas que garantem a infra-estrutura para sustentar a segurança profissional do indivíduo para garantir um fazer conseqüente e transformador e para facilitar o exercício da criatividade, novas aprendizagens e crescimento constante.
Explicando melhor esta proposição, de nada adianta “abarrotarmos” o bibliotecário com novos conhecimentos (sejam eles de qualquer origem), quando o que ele concretamente necessita é de uma biblioteca para trabalhar, de um salário condigno para se sustentar, de reconhecimento social e outros fatores para garantir a sua existência. O conhecimento que o bibliotecário deve buscar agora deve naturalmente decorrer de uma reflexão sobre aqueles fatores que impedem a prática concreta no âmbito de seu trabalho e o transformam num mero robô dentro do sistema social alienante em que vivemos. Assim, as leituras do bibliotecário brasileiro devem dirigir-se à sua própria realidade, mesmo porque é aí que nascem os projetos concretos de mudanças. Alerto que a realidade vivida, por ser tão opressora, às vezes é difícil de ser analisada; porém, quanto maiores os desafios, maior a inquietação e o desejo de transformação.