Sugestões de actividades
Embora as histórias tradicionais sejam habitualmente bem acolhidas pelas crianças, o educador deve verificar se a história, lenda, fábula ou mito que desejaria abordar na sua aula não foram já trabalhados, pois ouvir contar várias vezes a mesma história pode ser aliciante, mas pode tornar-se fastidioso, provocar desinteresse e não estimular o progresso.
A maior parte das histórias tradicionais prima pela clareza e pela nitidez da estrutura narrativa bem como pela definição das personagens. Não existindo grandes obstáculos à compreensão, prestam-se à realização na aula de trabalhos do tipo:
treino de reconto oral
dramatizações
ilustrações feitas individualmente ou em grupo
Considere-se, no entanto, que muitas histórias tradicionais envolvem mensagens múltiplas e complexas, que têm suscitado por parte de analistas interpretações diversas, por vezes até contraditórias.
Mas junto das crianças, as histórias tradicionais valem pelo que contam. Propor a descodificação das mensagens implícitas nas histórias tradicionais a crianças, que ainda não têm maturidade para esse tipo de análise, é desaconselhável pois só os fará aborrecer uma história que antes tinham apreciado.
As histórias do quotidiano na sala de aula
As histórias que apresentam situações do quotidiano têm em geral a intenção de sensibilizar para as questões que se colocam no relacionamento entre as pessoas da mesma família, no seio de um grupo de amigos e que, em momentos de crise, podem desencadear sentimentos de perplexidade, susto, medo, ciúme, isolamento, insegurança, etc. Em alguns casos, o autor deixa os dilemas em aberto, noutros casos tem a preocupação de veicular mensagens positivas.
A leitura de histórias deste género, no ambiente da sala de aula, pode contribuir para que os alunos tomem consciência e analisem problemas do dia a dia que os afectem pessoalmente ou que afectem outras pessoas, apurando a compreensão de si próprios e do mundo que os rodeia. A reflexão suscitada poderá ainda contribuir para que se tornem mais atentos e tolerantes.
No entanto, pode acontecer que alguns dos alunos estejam a viver situações idênticas e se sintam intimamente incomodados por reviver na aula problemas de que estão a tentar alhear-se. Se o educador suspeitar que corre este risco, será preferível escolher para a aula outro tipo de leitura.
Para que a leitura de histórias do quotidiano tenham efeitos positivos, o educador deve assegurar:
que os alunos compreendem e aderem afectivamente ao enredo;
que se interessam pelas situações vividas pelas personagens;
que estão interessados em debater as questões que o texto levanta.
Contar histórias no Jardim de Infância
Ouvir histórias – um primeiro passo para dominar a leituraOuvir contar histórias na infância leva à interiorização de um mundo de enredos, personagens, situações, problemas e soluções, que proporciona às crianças um enorme enriquecimento pessoal e contribui para a formação de estruturas mentais que lhes permitirão compreender melhor e mais rapidamente não só histórias as escritas como os acontecimentos do seu quotidiano.
Um bom contador de histórias tem que saber adaptar-se ao público. Esse ajuste é feito ao vivo, de uma forma rápida e quase imperceptível.
Se a assistência se distrai, há que mudar o relato abreviando o enredo, introduzindo novas peripécias, criando suspense. Se a assistência se mostra fascinada, vale a pena prolongar o efeito e ir adiando o desfecho.
A mesma narrativa terá de apresentar cambiantes conforme a idade das crianças e as características dos vários grupos.
Sugestões de actividades
Conte sobretudo histórias que conheça bem e de que goste.
Identifique previamente os acontecimentos-chave para os apresentar de forma clara e sugestiva.
Conte a história como se estivesse a vê-la desenrolar-se por cenas.
Ensaie em casa, ao espelho, ou diante de pessoas que lhe possam dar um feedback.
Observe as reacções das crianças enquanto conta a história para poder fazer os ajustes necessários. Pode, por exemplo, aligeirar uma situação se as crianças estão assustadas ou torná-la mais dramática para envolver emocionalmente os ouvintes.
Sempre que possível envolva as crianças no relato.
Se as crianças exigirem que torne a contar a mesma história, deve considerar que a actividade foi um êxito.
Como envolver as crianças no relato
Pedir às crianças que repitam frases; façam os gestos adequados para sublinharem a acção; emitam os sons de que a história refere (vento, bater à porta, etc.).
Suscitar antecipações, perguntando: O que é que acham que vai acontecer a seguir?
Suscitar o reconto em grupo, sobretudo com os alunos mais velhos.
Como suscitar o reconto em grupo
Um ou dois alunos ajudam o educador.
A história vai sendo contada pelas crianças e o educador só interfere quando necessário.
As crianças contam a história em grupos de dois ajudando-se mutuamente.
Uma turma conta a história a outra turma.
Cada criança escolhe o momento preferido e conta-a em pormenor acrescentando o que quiser.
As crianças são convidadas a contar a história muito rapidamente e referindo apenas o essencial