Flora vivia cercada de borboletas. Pretas, amarelas, azuis, de todas as cores. Elas nunca a deixavam sozinha.
Certo dia pediram , em coro:
- Queremos uma flor!
E Flora foi buscar da mais bela e perfumada flor. Plantou-a com todo o cuidado, pois além de bela era muito delicada.
- Obrigada Flora- agradeceram, em uníssimo, as borboletas.
Mas assim que se virou, dona Lourdes, puxando seu carrinho de feira e pensando no ensopado de jiló que faria ao chegar em casa, nem reparou na flor e esmagou-a com o pneu do carrinho.
- Oh, não! – gritaram as borboletas.
Flora, triste, promete-lhe plantar outra flor. Assim o fez.
E, coisa estranha, as borboletas ao seu redor pareciam multiplicar-se!
A nova flor prometia ser bela e cheia de vida, mas ai dela, o homem de bigode negro, apressado para o trabalho, também não reparou na flor e pisou-a.
-Oh, não! – protestaram as borboletas as borboletas.
Como os adultos são distraídos!- queixou-se flora.
Contudo Flora não gostava de ver as borboletas tristes.
Assim, partiu novamente em busca da mais bonita e perfumada flor. Plantou-a com todo esmero. E as borboletas multiplicavam-se cada vez mais ao seu redor.
- Obrigada Flora! Obrigada Flora!- repetiam.
Já ia voltando para casa quando veio o Julinho, na sua bicicleta nova. e passou justamente sobre a flor.
-Oh, não! – lamentaram as borboletas.
E pela primeira vez Flora chorou.
Animada pelas borboletas, Flora mais uma flor plantou.
Dessa vez ninguém pisá-la-ia! por precaução cercou-a.
Mas a cerca não impediu que um cachorrinho fizesse XiXi na flor. Morreu a despeito dos cuidados de Flora.
Não desisitiu e mais uma flor plantou ainda. Resolveu passar a noite ao seu lao, para não deixar que nada de mal lhe acontecesse. na noite enfeitada de estrelas, o chão duro pareceu-lhe o mais macio colchão, as borboletas cobriam-na protegendo-a do frio. E assim dormiu.
Sem que por isso, Flora não se lembrava mais de sua casa, sua famíla, seus brinquedos, e nem sentiria falta. Aquele tornar-se seu mundo.
A flor crescia, bela e cheia de vida, e novos botões apareciam. As borboletas faziam festa de Flora e ela sorria. E o seu sorriso enchia de vida aquele lugar. E a sua alegria fazia-a voar, voar com as borboletas.
fim